A Pintura de José Maria Ribeiro se situa naquela linha tênue entre o impressionismo e o realismo. São traços suaves como a sua personalidade, que projetam sobre a tela o que os olhos captam com uma lente sensível e reveladora. Uma paisagem, um vaso de flores, o rosto das pessoas, um telhado colonial, uma notre-dame mineira.

Conheci o Zé nos anos 70 quando ele começava a trilhar os descaminhos das artes. Veio a Galeria Guignard recomendado por tantos: Álvaro Apocalypse, Yara Tupynambá, Jarbas Juarez, Wilde Lacerda. Fizemos lá a sua primeira exposição e fomos nos reencontrar 30 anos depois na Pequena Galeria do Teatro da Cidade. A pintura ficou madura como ele, mais enxuta, sem tantas cores frenéticas da juventude mas com a firmeza que os anos de prática conferem ao artista.

Fico imaginando como deve ser o seu pequeno/grande mundo rodeado por Fatinha e os filhos, todos respirando arte naquela casa em  Lagoa Santa, onde os quadros da família se misturam nas paredes e as esculturas brotam das mesas e cantos.
Simples como todos os grandes artistas, José Maria Ribeiro é um dos melhores pintores brasileiros com quem tenho o prazer de conviver, nem que seja de tempos em tempos. Mas me surpreendo ao entrar em alguma casa e meus olhos pousarem sobre um quadro seu instalado na parede do anfitrião que me recebe. E ai sempre alguém conta uma história de como aquele Zé Maria foi parar ali, comprado em tal galeria ou na casa do artista. Porque a arte tem essa relação afetiva com quem se apropria dela.

E respiro tranquilo porque sei que estou em Minas e que das mãos generosas e ágeis do Zé ainda vão brotar muitas telas e que, vez por outra, poderei ve-las na casa dos amigos. E isso me dá uma enorme alegria de saber que o artista não para, vai em frente teimosamente, manchando o mundo com suas tintas e colorindo a vida das pessoas.

Pedro Paulo Cava/2008

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